Apenas um blog para eu guardar meus textos e zás, zás...
sábado, 14 de março de 2009
Sorriso de Mulher
O sorriso. Algo tão trivial. Quantos sorrisos nós podemos ver por dia? Por semana? Por mês?
Mas eu pergunto, e quero ver quem ousa responder: Quantos têm a sinceridade da própria verdade? Quantos sorrisos, de fato, te fazem sorrir junto, mesmo você naquele triste dia em desalento? Quantos sorrisos não são um mero alargamento dos lábios com uma exibição gratuita de dentes?
Eu sou impetuoso e respondo. Quase nenhum. Raros. Raríssimos.
Quantos sorrisos te permitem ver que ainda existe algo de admirável no cerne das pessoas?
Esse é ponto mais difícil. Como pode um sorriso ser tão franco e arder tanto ao plano de fazer você esquecer-se da beleza exterior de uma pessoa?
Falar de belas feições é fácil demais. Descrever o quanto uma mulher linda é linda é quase uma tarefa de criança. Discorrer uma declaração, registrar um poema, escrever um romance inteiro baseado apenas em uma irresistível aparência não te dará grandes créditos, salve-se por um extenso vocabulário, mas beleza é algo que todos vêem, apaixonante para qualquer um, basta que possua olhos que funcionem bem.
Muitas vezes a beleza exterior encobre a beleza interior para quem vê e ainda mais para quem possui.
Mais difícil que não se perder por ser belo e preservar a própria formosura interior, é encontrar um indivíduo que admire essa formosura, esse encanto íntimo, profundo e fascinante, acima de tudo, encontrar alguém que valorize esse que é o atrativo mais verdadeiro existente, e que não se deixe cegar pelo que é fácil de ver.
A beleza, em suas diferentes formas é algo que, sinceramente, me encanta absurdamente. Mas sou alguém que contempla o etéreo, prefiro sentir ao invés de ver.
Inclusive um extenso e suntuoso sorriso de mulher.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Objetivo!?
Tenho a escrita furiosa. Inconsciente, inconseqüente e deturpada. As palavras demoram a cair, e quando caem, permanecem imóveis, são pesadas, mortas, sem as grandes contribuições que um desabafo, por mais miserável que fosse, tivesse a obrigação de me proporcionar.
Chega. É o limite. Não vejo objetivos, não vejo destino, eu não posso enxergar mais nada. É o fundo do poço. O ápice da minha decadência. Se eu cair mais um pouco volto ao inferno, lugar que eu jurei nunca mais voltar. Ocioso, ocioso... No amor, nas virtudes e na vida que um dia eu sonhei em ter.
Tenho a escrita pobre. Inconveniente, incompetente e arrastada. Tortuosa. Sinto o vazio das palavras vazarem por entre os meus dedos trêmulos, desastrados e medrosos. A vida que antes urrava e se deliciava com os delírios de fortuna, agora bebe e traga a melancolia da leviandade.
Por obséquio, sirva-me mais um copo cheio.
Vou me embriagar de desespero mais uma vez. Tentar fazer meu orbe girar sem o menor sentido, quem sabe caio na órbita certa...
Sou como uma criança. Frágil.
Depositado por entre os lençóis frios, no cume da escuridão da noite sem nenhum acalanto. Não que fosse sentir saudades de algo que não fez parte do meu sono, mas, de certa forma, me sinto desprovido de uma segurança que nunca foi autêntica. Desesperado, com medo do perigo iminente que me cerca, me provoca, me acerta na cara, exigindo uma reação que não posso desempenhar, pois sou como uma criança. Frágil.
Retire a minha máscara com suas mãos suaves. Ofusque o brilho forjado dos meus olhos com o fulgor do seu semblante. Quebre meu sorriso tecido pela minha camuflagem com um beijo terno e me devolva à vida.
Eu só quero um desígnio, pelo qual eu anseie continuar a enfrentar tudo isso.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Sinal
Para que? - O sinal está aberto. - Para refletir.
Refletir sobre o reflexo que seus olhos tiveram em mim e que faz meu cérebro trabalhar como um escravo, sem condolências ou descanso do resto do meu corpo, eu sinto minha cabeça rachar, reflexos de uma noite sem sono.
Uma marra não me destruiria mais que meus pensamentos.
Pensar é suicídio, imperdoável como dizem, mas mesmo assim ainda somos estúpidos o suficiente para cometer o pecado de pensar nas turbulências que não seremos capazes de superar.
Não sem ajuda.
Dê-me a sua mão.
Me carregue para onde eu não possa me sentir sóbrio por muito tempo pois, refletir (essa palavra novamente) faz do tolo sábio, nem que seja por um mortal segundo, e sábios têm problemas existenciais por não saberem o suficiente para manter suas mentes vazias.
Belos olhos que me dominam. Podem eles ver através dos meus olhos cansados?
Eu sei que me cominam de revelar todos os segredos que mesmo eu desconheço. Sinto-me desnudo de minha capacidade trivial de executar o mínimo raciocínio que seja. Existe uma mácula de anseios se dispersando por todo o meu corpo, já maculado pelo reflexo dos teus olhos e pela tua retórica sobrenatural, que só não é tão poderosa quanto o teu semblante possuidor de olhar penetrante.
Então... Reflito sobre os meus anseios? Palavra forte essa...
O sinal está fechado.
Sou capaz de atravessar essa rua agora?
Crescimento
Sinceramente? Não me importa. De uma forma ou de outra é algo que terei de encarar, mesmo sitiado pelo medo e as dúvidas que me são exacerbadamente assíduas. A diferença é que agora consigo dormir, graças a sua diligência.
E o mais importante, consigo acordar para enfrentar a aurora do novo dia, tão absurdamente bela para alguns, e tão assustadoramente dúbia para mim, mas não me corromperei, não negarei o que eu disse, caminharei sobre esse dia, enquanto meus questionamentos estarão sob minha sola. Serão apenas pegadas, que podem ser seguidas, mas não fielmente acompanhadas, utilizadas apenas para chegar com atraso à minha mente que já está em um lugar distante, onde ostento essa nova era com minha voz.
Se expanda, cresça, exceda a impermeabilidade do mundo que antes eu temia, agora eu apenas respeito e me sobressaio confiante... não que tudo vai dar certo, mas confiante de que agora estou pronto para olhá-lo nos olhos.
Ah... carnaval!
Depois dessa, nem preciso lembrar dos homicídios nas estradas do Brasil inteiro. Isso mesmo, homicídios culposos que já viraram clássicos de um terror embriagado que está em cartaz todo ano. Está anunciado. Todos sabem que vai acontecer. Mas como eu comentei antes, não é necessário resgatar o tópico, vão falar sobre isso na sua T.V. em breve. Ou será que já estão falando? Dá uma olhada.
Você deve estar se perguntando, “Realmente mata e faz mal... mas engorda?”. Sim. E a maior prova disso é essa cerveja que me encara timidamente, com ares de culpada. “A culpa é sua mesmo!”, eu digo. Jogo a culpa toda nela. Mas ela é muito esperta e me responde categoricamente: “Quando um não quer dois não fazem”.
Mentira.
Sou forçado. Ela me estupra. Possuindo-me enquanto grito por alvedrio.
Mentira de novo. Temos um namorico.
E assim vou engordando e tragando esse tédio grotesco de carnaval. É... Você já deve ter percebido que não sou chegado nessa festa pictoricamente sensível à vermelho sangue. Desde moleque era assim. E desde aquela época me olham como olhariam para um político que tentasse “trabalhar” todos os dias da semana. “Cara, você existe? Esse carnaval vai ficar na História!”.
Com certeza.
O carnaval é uma tradição que tem seus primórdios marcados na História mundial!
Pois é, nesse país tropical abençoado por Deus, o Bolsa Família é a sofisticação do pão romano e o carnaval é nosso circo. Mas vejam só! Superamos Roma humilhantemente: não temos apenas um Coliseu, mas dois! O Marquês de Sapucaí e o Anhembi. Pena que são vulgarmente chamados de Sambódromos.
Ah! Quase esqueço.
As feras estão menos espertas, entretanto continuam desfilando com uma ferocidade nua. E claro que, literalmente, as bestas continuam nuas em público, natural, como qualquer animal que não tem a capacidade de refletir sobre o próprio raciocínio.
Encontro
O maduro ser sucumbia nas salas de bate-papo à procura do solene amor. Era esse o derradeiro recurso de uma pessoa extremamente tímida que conseguia se expressar, apenas, em frente a um monitor. Salvo temporariamente da sua timidez ele até conseguia conversar com um número vultoso de pessoas. Ainda assim, ninguém interessante. Nenhum de seus relacionamentos virtuais vingava, até aquele dia.
Uma mulher com uma conversa inteligente e bastante interessante finalmente entrou em contato. Ela afirmava ter visto o perfil dele no orkut e apreciado muito. Achava-o atraente em todos os sentidos. Animado, o esperançoso foi conferir a página da moça também, que tinha tudo com que ele sempre sonhou, havia se depararado com a tão idealizada alma gêmea, encontrando-se até as mesmas veleidades. O único problema era a falta de uma foto no perfil dela. Daí a dúvida: Como fariam para se encontrar? A sua “paquera” descreveu-se morena, corpo escultural, rosto repleto de serenidade e beleza, usaria um “tomara-que-caia” branco e calças jeans. Estaria esperando-o em um banco em frente ao cinema. Superando todos os medos e acanhamentos o auspicioso aceitou prontamente e viu naquele encontro seu renascimento. Era a vida fluindo em seu corpo com intensidade mais uma vez.
Na data, hora e local combinado veio o impacto, a decepção. Ele não havia se aproximado muito, de uma distância segura pôde ver. No banco escolhido para o encontro, estava uma morena. Entretanto nada escultural: era obesa! Seu rosto parecia estar ao avesso e voltado direto e constantemente para o sol devido à deformidade de sua face feia. Usava um “tomara-que-não-caia-jamais-nem-por-acidente-ou-vontade-própria” branco e um jeans prestes a explodir que devia ter brotado ali, pois o decepcionado não imaginava como aquilo havia sido vestido.
Derrotado pela maldita mentira que se fazia presente, nosso herói foi embora, voltou para a já conhecida e odiada solidão. Jamais deveria confiar em conversa via web, passaria a ser como Tomé.
Dez minutos atrasada, uma morena dotada de um corpo atrevidamente perfeito e um rosto angelical sentou-se ao lado de uma figura adiposa com vestes toscamente semelhantes às suas e passou a esperar alguém que não viria jamais.
O dom da feiúra
Devo agora também dizer, caro leitor, que não assumirei que sou desprovido de beleza para aliciar algumas demonstrações contraditórias de amizade ou amor envolvidas de pura pena e piedade (como muitos fazem), pois realmente não preciso disso. Seria contraditório, já que vejo o lado bom da coisa!
Ter amigos, namorada e uma boa fama é incontestável e extremamente bom, entretanto, tal benevolência pode ser realçada ainda mais se você for feio. É uma questão de raciocínio e experiência própria. O amor se mostra puro, intenso e sincero na sua verdadeira forma, afinal apenas muito amor para superar esse “defeito” do ser amado.
Em outro caso, a companhia daquele seu amigo feio em âmbitos variados, mostra que você não tem vergonha nem ressentimento de perder uma boa garota, que não irá se aproximar de vocês devido à relutância de uma amiga que a esteja acompanhando em ter de suportar a deslealdade com a beleza do seu amigo. Isso exaltará e fortalecerá a amizade.
Muitas pessoas têm aversão a esse inestimável dom, sim, porque, na verdade, a fealdade é um dom divino de muito mais valor que a beleza de Narciso, e as aversões tornam-se injustificáveis. Mesmo assim, elas existem. Nessas condições, ser considerado, ser querido e ser aclamado pela sociedade também mostra que o feio é realmente um “cara” de incomensurável estima e de fato todos gostam dele.
